Ne-Kongo.net
EXPO: CONTRADIÇÃO 
8/2004
Août 2004






PROBLEMA DA ARTE EM ANGOLA


Duma maneira geral, pensa-se que a Arte existe em África no seu sentido de Artesanato, de Arte popular.
Isto é pelo seu 1)conservadorismo, 2)nunca uma classificação critica chamará «belas artes» porque é simplesmente «arte aplicada», e no fim 3)testemunha a abstracção geométrica ou uma estilização rítmica de motivos naturalísticos. Em todas partes do mundo as formas idênticas e as mesmas técnicas nasceram espontaneamente da própria terra quer em África, quer na Ásia, quer em outras partes do mundo.
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Como é de conhecimento, o Renascimento e a Época clássica deram sentido especifico no tema «ARTE». A expressão Belas-artes nascerá ao lado das artes liberais que incluem a eloquência, a poesia, a musica, a pintura, a escultura, a arquitectura e a gravura. Isto foi entre séculos XVII e XVIII. Pois aqui falaremos destas belas-artes que a linguagem abreviou simplesmente em ARTE.

Desde então a arte começou a distinguir-se pela sua erudição criativa, testemunha dum empenho remarcável, pelas técnicas como provas dum certo nível elevado da mestria daquilo que se pratica, e essencialmente pela conversão duma realidade social ou activa em imagens (pintura, escultura, arquitectura, gravura) ou em novo pensar (poesia ou literatura) ou ainda em audição (musica, opera,...) muito original. Daí nasceu a «idiossincrasia» como impressões digitais do artista, como elemento fundamental a achar numa obra digna de ser dita «artística», no sentido estrito.

Portanto, neste sentido a arte ficou muito tempo ligada a uma certa classe social ou tipo das pessoas determinadas... quer nos praticantes(artistas), quer nos apreciadores (críticos e compradores): Religiosos, Reis, Governantes, Duques, Suseranos, eram apreciadores ( e raramente praticantes). Ora, o estado social deles traduzia-se em gente rica. E os praticantes eram ou seja da classe baixa ou media beneficiando das formações nas Escolas e Institutos construídos pelos fundos pertencendo a gente rica. Eis a razão pela qual a obra artística foi sempre premiada ou encorajada duma e outra forma.

Pois, tornou-se ilógico para um Europeu do século XIX acreditar numa obra artística no sentido estrita em África onde somente arte popular seria possível., Ainda hoje o assunto é muito discutido. A razão principal é pobreza.

Tal afirmam certos especialistas em «biology of pictures», C. Friedman por exemplo, «como o pobre e faminto Índio ou Africano aceitaria o valor que leilão outorgar á Mona Lisa de Vinci ou Guernica de Picasso? Só podemos admitir que a arte (neste sentido abreviado) ainda não tem os seus praticantes e apreciadores nestes lugares. Existem sim os Artistas, mas a pobreza oculta-nos muitas vezes reconhecer-lhes».

Um Africano preocupado pelo bem-estar da sua terra colocara-se a questão: «como atenuar a pobreza com a arte?». Eis uma questão interessante que provavelmente responderiam de maneiras diferentes o artista, o apreciador e no fim o promotor. Deixem-nos faze-lo á nossa maneira.

Seria uma ofensa dizer hoje em dia que não existe artistas em África principalmente em Angola. Uma das razões é porque não há criticas cépticos dum lado, e do outro, a carência dos promotores ou a falta de política para os dirigentes faz com que o mundo conheça-los mal. Citar CICIBA, aquilo é algo a encorajar , pois não orgulhar-se (sobretudo que ali está o apoio do EU).

Em África, a pobreza traduz-se pelo analfabetismo, insatisfação dos desejos quer alimentar quer material. Um obstáculo serio para a apreciação da Arte, como tantas outras actividades.

Os dirigentes seriam eles os principais a incentivar a produção artística pela criação das escolas e institutos, museus e galerias dum lado, e do outro pôr em disposição dos formados e outros autodidactas os diferentes prémios de prestígios. Os artistas, de modo igual, detém os maiores votos de fazer sentir que a arte existe onde estão. E para além disso, oferecer a sociedade (aos profanos como iniciados) uma estupefacção naquilo que vão produzindo. Pois descobrir-se-á quanto em arte odeia-se a lei de menor esforço. (Falando da escultura, é de conhecimento geral que já existem máquinas. Ora, Etona-esculturas, são produzidas á mão. E não só. As sua formas são buscadas á dez ou mais centímetros da parte exterior do tronco. Na verdade, tais esforços merecem encorajamento). E no terceiro ponto, a criação das possibilidades assim como a sua disponibilidade entre o Estado e os artistas dum lado, e de outro entre a produção e curiosidade exterior (isto é convidar o estrangeiro na seu território como ir expor no estrangeiro).

Dependendo dos Artistas (desde o pintor á poeta, de escultor a arquitecto) e cooperação dos dirigentes, pode se disponibilizar uma produção artística muito apreciada. Logo, África ou Angola teria seduzido e atraído o exterior a vir investir no seu país. Portanto, só poderá ser possível vias críticas, pois críticas serias e artistas, pois profissionais.
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Dependendo dos Artistas (desde o pintor á poeta, de escultor a arquitecto) e cooperação dos dirigentes, pode se disponibilizar uma produção artística muito apreciada. Logo, África ou Angola teria seduzido e atraído o exterior a vir investir no seu país. Portanto, só poderá ser possível vias críticas, pois críticas serias e artistas, pois profissionais.



CONFIRMAÇÃO DE CERTOS ARTISTAS ANGOLANOS
 
Luis Kandjimbo escrevia: «Durante muito tempo o olhar das artes africanas em Portugal confundiu-se com a produção de um discurso etnográfico sobre uma certa «arte tradicional». Tal facto condiciona o conhecimento do presente que tem sobrevivido na base desse passado. Por isso mesmo, esta exposição das artes plásticas contemporâneas de Angola pretende revelar-se como ruptura epistemológica profunda» (In Angola: tons e textura da Angolanidade, sem paginação).

Não ignoramos a existência dos Artistas em Angola. O problema se coloca na existência dos Artistas eruditos, isto é os artistas cujo  estilo, os temas, a estética ou a técnica para além de ser cientificamente «algo próprio», estão em caminho de ter possibilidades de ser «características» dum movimento artística quer novo quer inovado... E isto continua ser laborioso, sobretudo num primeiro instante deve-se 1) agrupar  estes trabalhos ora tematicamente ou consoante outra medida, 2) definir os critérios como base da classificação, 3) e no fim lhes colocar nas linhas artísticas existentes ou novas. O passo a seguir depois de aleviar-se desta tarefa, destaca logo a confirmação duma «arte aprovada» pelo publico iniciado. E somente assim que se pode pensar numa «arte erudita», «uma arte da invenção» pois não «de imitação». Ali está o problema.

Existe critérios para uma «arte erudita». Pois, até no momento, os Angolanos, talvez por falta dos científicos neste ramo, ainda não mostraram satisfações. Isto não quer dizer de modo nenhum que não existem. Pois, precisa-se elaboração de trabalhos científicos a esta matéria para lhes chamar com os seus respectivos nomes. Pois a confirmação dos artistas depende destas formalidades, que na nossa humilde opinião ainda é um trabalho serio e laborioso a efectuar.

ESTILO ETONA A PROCURA DUMA ARTE ERUDITA. 


I. Introdução

Stilus Etona. Palavra estilo significa etimologicamente maneira própria de escrever ou de assinar, isto é «idiossincrasia», a «own soul» ou alma intraduzível do artista que já adquiriu a audiência erudita: Picasso criou o cubismo, quebrando o realismo; Rodin oferecendo uma obra a fervor do neófito (teria moldado o modelo). E Etona? O que lhe caracteriza diferentemente dos outros?

Em relação a pintura Etona, apesar de enfrentar dificuldades na sua linha evolutiva, ainda está a acumular palavras certas do seu «universalismo» ora neo-impressionista ora neo-expressionista.

Em escultura, o artista empresta bocado do neo-impressionista tanto como do neo-expressionista. E isto enfraqueça o seu «universlismo». Nada fácil para um africanista cujo objectivo de pintar e esculpir visa: 1) a aceitar o «acabit» que o neo-colonialismo vestiu ao africano ou particularmente o angolano com os seus respectivos problemas embaraçosos e oportunidades; 2) a achar meios imediatos e favoráveis afim de revoltar a este sinistro «status»; 3)e, no fim, a exprimir-se.

Bem que a sua trajectória é muito penosa e longe de se definir concretamente, já se pode enquadrar o seu estilo (ainda em composição). Etona era uma pintura e escultura expressionista com pigmentação africanista. A sua passagem para o impressionismo e depois neo-impressionismo com uma espaciosidade  uniforma então determinada em linhas serpentes caracteriza-se pelo divorcio facultativo (pois não evolutivo) ao africanismo puro . Ainda é uma luta logo no começo e mais ou menos bem projectada, oxalá! Que consegue. Faltar-lhe-á mais exposições, diversos temas a desenvolver e mais espaços (como em todas artes plásticas).

O mérito do artista é sua tentativa de aproximar a sua pintura e escultura numa só palavra: universalismo  impressionista, bem que lhe é difícil porquanto se livrar do expressionismo africanista. Outra coisa: a sua obra, independentemente das apreciações que diferentes públicos podem lhe outorgar, pelo menos possui o direito da cidade nas artes plásticas eruditas. Vamos explicar aqui a frente.


II. Universalismo neo-impressionista (Pintura e escultura).

Qual diferença, na arte de Tona, entre Expressionismo e impressionismo? Quais são os motivos do seu universalismo quando é neo-expressionista ou neo-impressionista ? Quais são principais temas que definem o seu universalismo, o seu «own soul» artística que ata as suas obras neste universalismo?

Em princípio, temos dito que o artista ainda não conquistou ou definiu com palavras certas  o seu universalismo. Portanto, faz disto um projecto que pretende levar ao cabo, e porquê não, com sucesso como é sonho de qualquer espirito criativo.


II.1. Pintura

Porque neo-impressionismo? Na verdade existiu pos-impressionismo (neo-impressionismo também) cujas figuras eram: Paul Gauguin, Cezanne, Van Gogh. Estes combatiam aquilo que chamem improvisão, deliquescência da forma do impressionismo para alem da fugaz e do acidental (uma arte fora da ordem). Etona re-introduz não apenas a improvisão e deliquescência (de maneira pouca inovadora em escultura sobretudo), mas também a fugaz é presente na sua pintura. E como Seurat, Etona expressa uma sistematização de formas pretendendo assim um esquema geométrico em que o emprego exclusivo da cor é a principal expressão. Etona traduz não aquilo que os olhos podem ver de maneira pura, pois sim aquilo que o seu pensar achar (empiricamente) expressível. Pois repete várias vezes o estilo vizinho a Van Gogh de linhas mas desta vez com tons vulgares e repousantes (brutal, rudimentar). Isto num olhar profundo (ou especialista). De forma directa, Etona continua a afastar o africanismo de ontem para uma africanidade senghorina que aspira a universalidade a partir de simbiose de valores. Razão pela qual preferimos o termo Universalismo, resta explicar ambiguidade entre impressionismo e expressionismo (de forma prática).


    III.1.a) Expressionismo e Impressionismo


José Júlio Andrade dos Santos, escreve: «... pode hoje definir-se o expressionismo como sendo o o movimento onde cabem as maneiras artísticas que trazem novamente a obra plástica o drama do homem. E como estilo, impressionismo e expressionismo diferem-se pela 1)técnica, 2)maneira como o artista aborda o tema, 3)e pelos motivos psicológicos que o norteiam...» (Expressionismo, in Dicionário da Pintura Universal, Vol. I, Estúdios Cor, Lisboa, 1962,p.249).

Pois obra que produz Etona ainda é um divorcio com neo-expressionismo Africanista e os primeiros namoros com o universalismo neo-impressionista (no sentido que lhe demos). O artista, é bom nota-lo, ainda está em plena transição, e isto dificulta-nos enquadrar definitivamente ou cientificamente o movimento (ou até estilo) que o artista abraça. Mas isto tem rumo a universalismo impressionista. E, o percorrer a este objectivo, pode dar luz a um outro que o artista, pela produção que oferecer, conseguir definir sem o quiser voluntariamente.

Insistimos portanto que Etona é um neo-impressionista porque 1)a sua técnica em Pintura avizinha a escola de Manet, Van Gogh (sobretudo), Seurat e Cezanne (pos-impressionista); 2)os temas abordados diferem dos impressionistas num só sentido de ser Africano:  são em resumo uma luta de um Apostolo da africanidade (simbiose dos valores africanos com os do resto do mundo) com pouca academismo, para além da falta de respeito as «regras» preestabelecidas pelo rigorosidade óptica; 3) e, a respeito aos motivos psicológicos como bússola do artista, ainda se necessita separar as luzes das trevas. Pois precisamos mais exposições e várias temas na parte do artista. Mas aqui, também, a expressão das cores e figura tem uma tendência impressionista bem as vezes rompe com o pudor (As Ideias Distintas, O Resultado).

Uma pista do Etonismo, em pintura torna possível. Isto é uma pintura cujas cores levam contrastes de tons, via pequenas pinceladas de tons puros justapostos numa contraste de espaciosidades. E tudo mergulhando nos temas ligados em situações de Angola (explicadas pela cenatização singular, isto em pintura ou de diferentes peças, isto é em escultura), de África até da própria maneira neo-africanista (sem ou com África) de lutar para o «bem estar» da humanidade em geral.

II.2. Escultura

É na escultura que Etona oferece-nos o seu «intimo». Trabalha com troncos (pedras também), principalmente na parte interior. O seu procedimento não é tão fácil pois requer espiritualidade, filosofia e dedicação. O escultor busca a forma das suas escultura via uma familiarização paulatina (paciente) com a matéria.  Isto é achar um morfismo que corresponde com a sua angolanidade ou universalismo sengorino ou intitular a sua escultura em paralelo á sua ideologia . E nesta lógica, continua um neo-africanista.

Um grande escultor tem dito: «façamos homem a nossa imagem, segundo a nossa semelhança»(Genesis:1:26). Ao contrário Deste, Etona não impõe uma «semelhança»(forma)  pois sim a sua «imagem», (ideologia, filosofia) nas esculturas (títulos) são portanto expressão plástica da angolanidade que defende, uma angolanidade de SER e de NEGAÇÃO, com tons violentos e quase patéticas. Oferece as detalhes e os volumes com uma esquematização que explica dum lado a sua angolanidade dentro duma novas face de «africanidade» no sentido que o defendeu Senghor(simbiose), principalmente. E do outro, o seu empenho e mestria nas madeiras. E isto lhe dá uma «idiossincrasia» artística diferente dos seus colegas angolanos (que também provavelmente levam as suas linhas). Pois mergulha num universo infinito de possibilidades plásticas (Os Chipaios Modernos, A Beleza e Transparência confirmam-no).

Oferece o tratamento liso da matéria, dum lado (ver a Transparência), e bruto de outro (ver Ainda África). Combina os dois tratamentos, muitas vezes, em O Resto da Riqueza, Amor de África, etc. Como o fez Henry Moore, num só título, apresenta duas peças separadas mas constituindo um conjunto coerente. Uma tendência para a cenatização dos seus princípios favoritos: Amor de África. Decididamente uma arte para ser VIVIDA e VISTA. Pois serve-se do antiformalismo  para exprimir o seu humanismo e uma angolanidade quase pseudo-africanista. Neste preciso aspecto, o seu espaço e auditório incluem diferentes correntes existencialistas(onde o seu expressionismo neo-africanista matem-se) numa variabilidade de dimensões estructuralistas  e anti-funccionalistas no mesmo tempo. Em outras palavras, o escultor goza duma«liberdade» de fugir a rigorosidade academista e duma irregularidade concepcionista para a sua luta neo-africanista. Lê-se facilmente com Ainda África, Triângulo da Inocência, Desconhecido, Amor de África obra cheias de negritude insistente. Isto é dum lado. De outro, evita pouco cuidadosamente a obstinação radical e abstinência infundada  no seu africanismo (Transparência, Abstinência ). Bem que uma só obra ilustra esta «tolerância», todas obras Etona resumem-se ideologicamente á esta frase: «A ideia não é a priori uma verdade, assim como nada é radicalmente falso. O tempo é tido como factor e espaço como base de divergências. Defender uma ideia dentro das leis e lógica das coisas é o plausível voto». E nesta base que Etona esculpe e escolhe os seus temas. E isto lhe resulta fluidalidade nos valores ideológicos que defende.


III. Beleza  Etona

III.1. Pintura

A Beleza da pintura está nas pinceladas, nos tons expressos e no fundo ou contraste. E o «belo» depende especialmente da tecnicidade. A experiencia que Etona adquiriu permita-lhe dominar muitas pinceladas, fazer presenciar diferentes tons. A sua mestria nas cores simplifica o expressionismo Etona-1991-2001 em cores generalizadas que chamamos por falta de termo adequado universalismo. E,  uma outra iniciativa que utiliza é de colocar  pinturas na sua pintura: «pictures in picture», dizem os Ingleses.

E bom notá-lo, a beleza assim definida, encontra-se na maioria das pinturas produzidas pelos Angolanos, até nas telas de artesanato. Nota-se uma ligeira mas essencial diferença na Etona que decidiu simplificar as suas «cenas» anteriores em grandes espaços unilateralmente pintados (espaciosidade). Notar-se-á que estes espaços (cores generalizadas) são outras «maneiras» de representar as suas figuras sem rostos e sem mãos. O problema é que estas «figuras sem rostos,...» de outra vez perdem, na actualidade todo seu erotismo. E isto permita-lhes ganhar certo lirismo revolucionista. «Valor Da Vida» é um exemplo referencial para tal: uma África sangrante? Ou caloriando? Ou ainda chorando?

A pintura Etona2004 é dicotómica entre dois estilos (neo-expressionismo e impressionismo) e a estética continua essencialmente barroca, pela 1)sua claridade, 2)simplicidade e 3)inteligibilidade. Também, pela interpretação realista. Em contrapartida, o estimulo emocional que oferece (Etona2004), as vezes, não é directamente «característica» de barroco pelo facto de romper com a piedade ou civismo. Todavia, fez questão de insistir. Sobretudo o contraste frequente entre a luz e a sombra quer de anuências violentas ou clementes; sentido (concepcional) da transitoriedade da vida (O Vendedor, Zungueiras) angolanos e valores espirituais (o pintor usa a geometria em linhas serpentes para delimitar diferentes ideais e realidades sociais angolanas).


III.2.Escultura

A escultura Etona2004 é marcada pela presencia de três diferentes estéticas principais. Uma é a «madeira lisa», outra é a «madeira bruta» e a terceira é transformações naturais que a madeira sofreu. O escultor associe ora os dois primeiros estilos ora os três numa só peça. Um novo barroco (onde em vez da  luz e o escuro, o bruto e a lisa corroboram).  A beleza que expressa o artista situa-se na sua mestria dos volumes detalhados em figuras imaginárias, quer partes amorfas simbólicas. E fica ainda mais curioso quando informamos que o artista consegue chegar até neste ponto sem maquinas apropriada, pois sim pelas mãos. Talvez um fabricante de RollsRoys que, consciente do valor do fabrique em mão (assim como é este caro de luxo) poderá valorizar a beleza destes trabalhos.

A beleza que oferece é espiritualmente realista e tecnicamente barroco-rococó. A realidade representada com fantasia com exageração: Os Chipaios Modernos, Luta De Género. As vezes a beleza em escultura, surge ora do empenho ou tecnicidade do artista ora do sentido figurado da morfologia rudimentar que apresenta. Os Chipaios Modernos e Luta De Género prova a primeira opinião. Enquanto ao segundo, A Abstinência dum lado e Tumataia do outro, são exemplos a citar.



IV. Universalismo: Uma filosofia mais do que a Arte?

É neste termo que vamos insistir afim de explicar a filosofia que resume os «produtos» Etona. As pinturas Etona são um «universalismo» com a presença da Angola. A única «pintura» que reveste o universalismo purista é a Riqueza do Signo.  É difícil identificar a nacionalidade do seu autor, com esta tela. Pois é neste estilo que Etona pretende continuar coma sua negritude. Uma negritude de insistir a presencia do Negro quer na contribuição do desenvolvimento do mundo quer noutros assuntos da Humanidade. Recusa categoricamente a margilazação do Negro. Daí, chamamos «universalismo sengorino» (um dos pais da negritude).

Este inovação estilística e filosófica , se define pelos 1)temas, 2)técnica e 3) presença de vários «ismos», pseudo-academismo e convergência entre impressionismo e expressionismo.

1)    TEMAS: Amor de África, Do Eu, África (pinturas), Luta de género, A Beleza (esculturas) ilustram a negritude, mas uma negritude própria de Etona. De acordo com Larousse XX século, negro significa. «nome genérico de diferentes tipos de macacos». Daí parte a luta de Etona que luta contra a marginalização do Negro no contributo do progresso humano. A justaposição das cores e a figura da mulher pilando do Do Eu, África ilustra quanto o Africano é trabalhador (um factor importante no progresso humano). Para o Etona, o «trabalho» é um dos gritos contra a marginalização do Negro: Ainda África. Também tenta ilustrar as cenas nas quais é mergulhado o Angolano, ou melhor o Africano: Do Meu Futuro (Futurista?) explica-o  bem. A esquematização pictórica assim como uma criança são ilustrações de Futurismo. Por razões talvez subjectivas, Etona mostra-se um «futurista da negação» principalmente por Angolano: numa mesma pintura coloca dois diferentes jornais, o primeiro com uma criança miserável e outro, com os ministros a brindar. No pensar do Etona, o colono foi-se mas o próprio Africano se terá de pensar melhor perante o seu patriota. E grita Ainda África! Isto é, luta contra o 1) separatismo e 2) inocência. 1)Separatismo: prefere ser Angolano, pois não um Malangino, Belenguense, ou outro «tiré à part». E isto se justifica quando abraça um certo universalismo. Aqui a sua luta situa-se contra a política de privilegiar uns e menosprezar outros (Valor Da Vida, Transparência, Triângulo da Inocência constituem um eixo, também Soba, As Zungueiras e Desconhecido). 2) Inocência: O triângulo Da Inocência é a obra referencial: as três figuras são cabeça dum velhote, uma outra de mulher e a terceira é amorfo.  Três realidades, três concepções e três suportes que podem definir o futuro de África. De forma geral, os temas de Etona resumem-se desta forma: «o universalismo sengorino terá pela obrigatoriedade do desenvolvimento sócio, económico e cultural dos povos pela descolonização da mente, o combate ao analfabetismo especifico e geral e fundamentalmente pelo conceito da pátria».
2)    TECNICA: As pinturas são marcadas pelos grandes espaços uniformemente pintados com específicas significações(espaciosidade), pondo em evidência os problemas angolanos. A combinação entre estes espaços pelas linhas brancas serpentes caracteriza-se também ora pela imagens justapostas (Tocador de Kora, O Vendedor, As Zungueiras) ora pela colagem das imagens produzidas fora (Do Meu Futuro com dois jornais, Ideias distintas com um desenho produzidos pelo doente mental). As esculturas são marcadas pelo dois tratamentos diferentes na matéria, liso e brutal, para além da deformação que a matéria sofreu. Ali reside a «magia» do escultor. Ainda África mostra um grito que a deformação outorgou-lhe. O mais curioso é que a escultura leva uma língua e uma faringe  que o escultor não pensou inventar mas achou depois de limpar as partes devastadas pelos insectos. É o mesmo procedimento (de limpeza) com Tumataia, Triângulo Da Inocência (parte amorfo), Desconhecido, etc.
3)    Presença de vários «ismos» artísticas, pseudo-academiso, e convergência entre expressionismo e impressionismo, para além da intervenção dum barroco que leva uma pigmentação de impudor e piedade. Do Meu Futuro leva cubismo (pelo facto de colagem), neo-impressionismo (pela espaciosidade e geometria serpente); O Vendedor é uma convergêncial exemplar entre neo-impressionismo e neo-expressionismo; A Beleza, A Abstinência testemunha os critérios de barroco(pelo contraste de lisa e bruto); O Soba, é um classicismo africanista (expressionista), etc. Em fim, esta combinação de vários «ismos», intervenção de diferentes escolas ou movimentos que caracterizaram as vicissitudes da História da Arte são presentes nesta nova linha que inventou Etona.

Em resume, são estes critérios que caracterizam não apenas uma erudita que criou Etona, mas  sobretudo, esperamos que oferece mais produtos para 1) cimentar a sua linha de trabalho, 2) oferecer elementos para definir de forma concreta certos critérios que lhe caracteriza «isoladamente», facilitando assim a escolha do vocabulário certo, 3) e no fim, invadir outros espaços de pintura (pintura de muros, de tetos, etc.) e escultura (oficial por exemplo) com os mesmo critérios.

Patrício BATSIKAMA,
Crítico de Arte diplomado pela
The University of Plymouth, UK
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